terça-feira, 18 de novembro de 2014

Ausculta cardíaca

Ausculta ou Auscultação Cardíaca é a parte da semiologia médica que estuda os sons gerados pelo ciclo cardíaco e seu significado. Serve para diagnosticar alguns problemas cardíacos.
 
Frente do tórax, mostrando as relações de superfície com os ossos, pulmões (roxo), pleura (azul) e coração (contorno vermelho). As valvas cardíacas estão representadas por "B", "T", "A" e "P".
Classificação dos sons cardíacos
Os sons cardíacos, ou bulhas, são as manifestações acústicas (som) geradas pelo impacto do sangue em diversas estruturas cardíacas e nos grandes vasos. As vibrações são depois propagadas às paredes do tórax e podem ser auscultadas através de um estetoscópio, permitindo a obtenção de um conjunto de informações importantes sobre a condição do coração.
Em adultos saudáveis, existem geralmente dois sons do coração normais que ocorrem em sequência com cada batida do coração. Eles são a primeira bulha cardíaca ou primeiro som cardíaco (B1 ou S1) e a segunda bulha cardíaca ou segundo som cardíaco (B2 ou S2), produzidos pelo fechamento das valvas atrioventriculares e valvas semilunares respectivamente. Além destes sons normais, mais dois sons podem estar presentes (comumente referidos de extra sons), incluindo os terceira bulha cardíaca ou terceiro som cardíaco (B3 ou S3) e quarta bulha cardíaca ou quarto som cardíaco (B4 ou S4), os quais podem ser normais em algumas circunstâncias.
Os sopros cardíacos são gerados por um fluxo turbulento do sangue, que pode ocorrer dentro ou fora do coração. Os sopros podem ser fisiológicos (benignos) ou patológicos (anormais). Os sopros anormais podem ser causados por uma estenose que restringe a abertura de uma valva cardíaca, causando turbulência ao fluxo sanguíneo que passa por ali. A insuficiência da valva (ou regurgitação) permite o fluxo inverso do sangue quando a valva incompetente deveria estar fechada. Diferentes sopros são audíveis em diferentes partes do ciclo cardíaco, dependendo da causa do sopro. Podem ainda ouvir-se outras manifestações acústicas como atrito pericárdico, estalidos e cliques.

Sons ocorridos na sístole cardíaca
- Estalido proto-sistólico.
- Estalido meso-sistólico.
- Estalido tele-sistólico.
- Sopro sistólico.

Sons ocorridos na diástole cardíaca
- Estalido de abertura mitral.
- Sopro diastólico.

Outros sons
- Sopro sisto-diastólico.
- Sopro contínuo: Um sopro pan-diastólico começa com o segundo som e se estende ao longo do período de diástole. Normalmente é produzido como resultado de um dos quatro mecanismos: comunicação anormal entre a aorta e o lado D do coração ou com o átrio esquerdo; comunicação anormal entre uma artéria e uma veia; aumento anormal do fluxo ou constrição em uma artéria; fluxo de sangue aumentado ou turbulento nas veias.
- Persistência do ducto arterial: Este canal vascular entre a aorta e artéria pulmonar permanece aberto em uma pequena porcentagem de recém-nascidos, com um desvio da esquerda para a direita. Este sopro é ouvido melhor sobre a borda esternal superior esquerda, associado à emoção, e é caracteristicamente contínuo. Se não tratado, o alto fluxo pela artéria pulmonar levará, eventualmente, a uma hipertensão pulmonar irreversível com reversão do fluxo da direita para a esquerda (síndrome de Eisenmenger). Deve ser diferenciado de um zumbido venoso, um sopro inocente comum ouvido freqüentemente em crianças.
- Atrito pericárdico: é causado pela batida do coração contra um pericárdio inflamado ou pleura pulmonar em uma grande variedade de etiologias. Este som é normalmente contínuo, e audível difusamente sobre o tórax. Tem tipicamente três componentes, um sistólico e dois diastólicos. O sistólico acontece durante a contração ventricular, e o diastólico acontece durante o enchimento rápido do ventriculo e contração atrial, simultaneamente. O som é acentuado quando o paciente se levanta e se inclina para frente, e pode, também, ser acentuado durante a inspiração. Se o som de atrito desaparece completamente quando o paciente prende a respiração é mais provável que o atrito seja de origem pleural e não pericárdica.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ausculta_card%C3%ADaca
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sons_card%C3%ADacos
http://estudmed.com.sapo.pt/ausculta/apd2b.htm
http://www.cardiocenterltda.com/sons_2oEIE_sopro_continuo.htm

7 comentários:

  1. A ausculta será realizada após a devida inspeção e palpação do precórdio, os
    quais trarão muitas informações que auxiliarão o correto entendimento dos fenômenos auscultatórios. A ausculta pode ser feita de maneira direta, com o examinador posicionando o pavilhão auricular no tórax do paciente. Esse método é menos utilizado depois do advento do estetoscópio, através do qual se realiza a ausculta indireta. O estetoscópio possui três componentes básicos: peças
    auriculares; sistema de tubos; e as peças torácicas. Estas últimas se dividem em
    diafragma, útil para a ausculta de sons agudos (alta frequência), ou seja, da maioria dos sons cardíacos, e a outra parte é a campânula, usada para a ausculta dos sons mais graves (baixa frequência), representados pelas bulhas acessórias (B3 e B4) e o ruflar diatólico da estenose mitral.

    fonte
    http://www.uff.br/cursodesemiologia/images/stories/Uploads/semio_cardiovascular/aulas/aula3_b1b2.pdf

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  2. O fluxo turbulento do sangue permite a ausculta porque há movimentação desordenada do sangue, chocando-se aleatoriamente na parede do vaso. Esse fluxo pode ser gerado por uma compressão dos vasos sanguíneos, fazendo com que o sangue que antes fluia de modo mais organizado (laminar) passe a adquirir maior velocidade e maior desorganização (turbulento)

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  3. Intimamente relacionado com a ausculta cardíaca, é importante entendermos como funciona o método auscultatório, utilizado para verificação da pressão arterial do paciente. O manguito é enrolado em volta da parte superior do braço e inflado por uma pera. A pressão no manguito é aumentada até que o pulso radial desapareça. O estetoscópio será colocado na área onde melhor se sente a artéria braquial antes de ser ocluída. A partir daí, começa-se a desinsuflar o manguito, e quando o sangue surgir na artéria, às pulsações passará a ser ouvidas. Neste momento o manômetro deverá ser observado com atenção e a leitura feita ao se ouvir o primeiro som, o qual corresponde à pressão sistólica. Continuando a desinsuflar, os sons continuam a ser ouvidos; o momento em que os sons se tornam menos intensos, abafados, desaparecendo logo a seguir, corresponde à pressão diastólica.

    Fonte: http://www.portaleducacao.com.br/enfermagem/artigos/32360/pressao-arterial-nao-invasiva-metodo-auscultatorio

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  4. O examinador pode começar pelos focos da base do coração (aórtico e pulmonar) ou pelos do ápice cardíaco (mitral e tricúspide), contanto que não deixe de examinar nenhum dos focos.
    O primeiro passo após posicionar o estetoscópio no tórax do paciente é identificar o que é a primeira bulha (fechamento da valvas atrioventriculares) e o que é a segunda bulha (fechamento das semilunares). A melhor forma para tal é palpar a artéria carótida do paciente ao mesmo tempo que ausculta-o.
    A bulha que coincide com o pulso da artéria é a B1. Outra forma de fazer essa
    diferenciação, que requer mais experiência por parte do examinador, é
    avaliar a característica auscultatória de B1, que é um som mais suave e prolongado, como uma batida de surdo (“Tum”), e de B2, que é um som mais seco (“Tá”). Após identificar esses sons, pode-se identificar a sístole auscultatória, que é o período entre B1e B2, e a diástole auscultatória, que compreende o espaço entre B2 e B1.
    Realizado esse passo, o examinador está apto a localizar qualquer som dentro
    do ciclo cardíaco, o que essencial para a correta compreensão do mesmo. A partir
    desse momento o examinador deve-se perguntar:
    1.O ritmo é regular?
    2.Como estão as Bulhas? Hiper ou Hipofonéticas? Desdobradas? Apresenta B3 ou B4?
    3.Como está a sístole? Tem Sopro? Click? Atrito?
    4.Como está a diástole? Tem Sopro? Estalido? Atrito?
    Importante lembrar que esse é um roteiro resumido do que o examinador pode
    encontrar na ausculta cardíaca e funciona somente para o mesmo não deixar os
    dados mais básicos passarem despercebidos. Além de que, como dito anteriormente, a mehor rotina é aquela criada pelo próprio examinador, desde que ela não deixe de contemplar nenhuma parte do exame.

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  5. É importante salientar que às vezes pode haver um ruído inexistente ou bem tênue no que indicaria a sístole ventricular. Isso pode ser um sinal de tamponamento cardíaco, que consiste em perfuração do miocárido, causando extravasamento de sangue para a membrana pericárdica. Isso acaba por diminuir o poder de relaxamento total do coração pois o sangue está ocupando o suposto espaço. Dessa forma, o débito cardíaco diminui, assim como a frequência cardíaca, sendo uma das causas de choque cardiogênico, considerado não-hemorrágico.
    Fonte: manual do ATLS

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  6. Um procedimento clínico semelhante e tão importante quanto a ausculta cardíaca é a ausculta pulmonar. A ausculta torácica é uma técnica diagnóstica muito antiga, amplamente usada na atualidade pelo seu baixo custo, grande praticidade e sensibilidade. Os diversos sons audíveis pelo estetoscópio sugerem condições pulmonares de grande importância para o tratamento dos enfermos. Estes sons são resultados das vibrações pulmonares e das respectivas vias aéreas transmitidas à parede torácica. Eles podem ser divididos primeiramente em: bronquiais (traqueobronquiais) ou vesiculares, não existindo padronização na sua descrição.

    Fonte: http://medicina.fm.usp.br/gdc/docs/revistadc_128_224-231%20864.pdf

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  7. A medida da pressão arterial por este método baseia-se na obstrução parcial do fluxo sanguíneo pelo manguito, que produz vibrações e sons de baixa frequência (sons de Korotkoff).

    O tamanho do manguito e a posição do mesmo no membro podem interferir na exatidão da medida, conforme Ribeiro (2003) manguitos muito largos tende a subestimar os valores de pressão arterial e manguitos pequenos podem fornecer medidas superiores ao valor real.

    A largura ideal de um manguito apropriado deve ser igual a dois terços da circunferência do membro no qual o mesmo é posicionado. É possível encontrar algumas divergências na mensuração da pressão arterial pelo método auscultatório.

    Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO

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