domingo, 26 de outubro de 2014

Doenças graves podem ser diagnosticadas com exames de sangue

Após vermos doenças que podem ser diagnosticadas pelo exame clínico, vamos falar sobre a importância de exames bioquímicos para o diagnóstico de algumas doenças. Muito se fala sobre as doenças silenciosas e a relevância de seu diagnóstico precoce, evitando seu agravamento. Segundo o patologista clínico Gustavo Rassi, do laboratório Atalaia, em Goiânia, os exames laboratoriais devem ser feitos sempre após uma consulta médica, já que eles são um complemento da avaliação clínica do paciente. Mas há aqueles exames e pedidos que não podem esperar uma dor ou desconforto para serem feitos. O médico irá avaliar idade, histórico familiar e outras doenças relacionadas, estudando a necessidade de fazer aquele exame e analisar os resultados com propriedade. Separamos alguns exames muito simples de serem feitos, que não exigem nenhuma preparação especial ou horas de jejum, e que podem detectar problemas graves.

HIV
O rastreamento da AIDS ainda é um assunto delicado e difícil de ser feito no Brasil. Segundo o Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, estima-se que 530 mil pessoas vivam com HIV/AIDS no país, sendo que 135 mil dessas pessoas não sabem que portam o vírus ou nunca fizeram o teste. O exame para rastreamento do HIV é a principal estratégia para o acesso ao diagnóstico. "Ele é feito geralmente pela coleta de sangue ou outros fluídos corporais, como a saliva", explica o patologista clínico Gustavo Rassi. Com essa amostra se faz a pesquisa de anticorpos anti-HIV. "Os grupos e comportamentos de risco são os mais indicados a fazer o exame, como usuários de drogas injetáveis e indivíduos que praticam sexo com vários parceiros sem preservativos", diz. Entretanto, o vírus não afeta apenas essas pessoas, e deveria ser feito pelo menos uma vez naqueles que não se enquadram nesses grupos. Com a detecção precoce, é possível encontrar melhores resultados terapêuticos, cuidar para não transmitir a infecção aos parceiros e até mesmo conseguir melhores prognósticos, podendo inclusive impedir uma manifestação grave da doença. O teste é rápido e oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e o médico pode fazer o pedido do exame se o paciente expressar essa vontade na consulta.

Hepatite C
De acordo com o Fundo Mundial para a Hepatite da Organização das Nações Unidas, cerca de 500 milhões de pessoas no mundo estão infectadas com os vírus para hepatite B e C, e apenas 5% delas sabem que tem a doença. No Brasil, existe cerca de 1,5 milhão de pessoas infectadas pela hepatite C, doença responsável por 70% das hepatites crônicas e 40% dos casos de cirrose, segundo dados do Ministério da Saúde. O infectologista Paulo Roberto Ferreira, do Hospital Bandeirantes, conta que as formas crônicas das hepatites B e C raramente apresentam sintomas fortes. "Depois do início, não há sintomas por 20 a 30 anos, até que apareça cirrose ou câncer de fígado. Esse é o grande problema da doença, que é silenciosa por muito tempo", afirma. De acordo com o fundo da ONU, as pessoas nascidas entre 1945 e 1965 devem fazer o teste da hepatite C pelo menos uma vez na vida, pois têm cinco vezes mais chances de estarem contaminadas. Isso porque a doença é transmitida pelo sangue, como transfusões, sexo sem proteção, compartilhamento de agulhas e etc, e nesse período os cuidados com a higiene e a sorologia para verificar a existência do vírus no sangue doado ainda não tinha sido desenvolvida. O exame é importante para a prevenção de uma doença mais grave, pois uma vez identificado o vírus, é possível controlá-lo e impedir complicações.

Colesterol alto
Esse é outro exame de sangue simples de fazer, o de colesterol e frações. "Ele possibilita ao médico avaliar índices importantes como o colesterol (tanto o LDL, o colesterol ruim, quanto o HDL, conhecido como bom colesterol) e o perfil lipídico, que revela se há ou não risco para aterosclerose, AVC ou hipertensão arterial", explica o geriatra Clóvis Cechinel, do laboratório Pasteur, em Brasília. Esse é um exame que pode ser feito em qualquer época da vida, uma vez que o colesterol também não apresenta sintomas, podendo se manifestar já na forma de uma doença mais grave, como o infarto. A recomendação se intensifica para pessoas com mais de 40 anos ou então aqueles que possuem histórico de doenças cardiovasculares.

Distúrbios da tireoide
Enquanto o colesterol alto, a hepatite e a AIDS não apresentam sintomas antes de atingirem gravidade, as desordens da tireoide enganam pela simplicidade e variedade de sinais. Cansaço, calor excessivo e insônia são algumas das manifestações de problemas com esse órgão. Por isso é comum que pessoas com problemas na tireoide suspeitem de outras doenças, demorando a pesquisar o problema corretamente. Os hormônios da tireoide são responsáveis pelo nosso metabolismo basal, eles estimulam nossas células a trabalharem e garantem que tudo funcione corretamente em nosso corpo. Quando produzimos esses hormônios em excesso (hipertireoidismo), o metabolismo passará a funcionar de forma acelerada, e quando a tireoide não está produzindo quantidade suficiente de hormônios (hipotireoidismo), o metabolismo fica mais lento. Devido à dificuldade no diagnóstico, o exame de TSH é importante para verificar se há alguma alteração significativa no funcionamento da tireoide que precise de tratamento. "Com a análise clínica do médico com base no perfil do paciente, é possível entender se algumas das dificuldades são causadas pela tireoide", explica o patologista Gustavo. Os distúrbios da tireoide são mais comuns em mulheres e ficam mais incidentes com o passar da idade, por isso, pessoas com mais de 50 anos devem considerar fazer esse exame.

Alterações na próstata
Nesse caso, existem dois exames muito importantes para identificar possíveis problemas no órgão, incluindo o câncer de próstata. Existe a dosagem de PSA, que analisa a proteína de mesmo nome. Uma próstata normal produz essa proteína normalmente, mas uma pessoa que tem um tumor pode produzir em maior quantidade. Entretanto, apenas o exame de PSA não é conclusivo para o diagnóstico de câncer de próstata, uma vez que ele pode ser falho. "De 24 a 40% dos tumores não apresentam altas dosagens da proteína PSA, não sendo detectados pelo exame", afirma o oncologista Fabio Kater, coordenador do Centro de Oncologia do Hospital 9 de Julho. Outro cenário é quando o exame apresenta resultado anormal, mas a alteração na próstata em si não representa um problema e, portanto, não irá necessitar de tratamento.
Por isso o exame de toque também deve ser feito preferencialmente, e se possível em conjunto com o PSA. O exame de toque retal dá informações adicionais ao médico sobre a próstata, mesmo que não relacionado à doença maligna, como a hiperplasia prostática benigna. Além disso, o exame de toque também possibilita encontrar pólipos e fazer retirada de pele para biópsia.
Os homens precisam fazer o exame de toque anualmente a partir dos 50 anos, pois é a partir dessa idade que a incidência de alterações aumenta. Antes desta idade o exame pode ser recomendado pelo médico para pessoas sintomáticas ou pessoas de alto risco para a doença, como obesidade e parentes de primeiro grau com o diagnóstico da doença.  A recomendação atual da Associação Americana de Urologia é de que homens entre 40 e 54 anos sejam submetidos a avaliação prostática com PSA e toque retal se apresentarem fatores de risco para o câncer de próstata, caso contrário, a avaliação prostática de rotina deverá ser realizada em homens a partir dos 50 anos. Entretanto, homens em idade muito avançada - expectativa de vida abaixo dos 10 anos - que não apresentam sintomas e nunca tiveram diagnóstico para câncer de próstata podem receber dispensa do exame pelo médico, sob a justificativa de que o diagnóstico nessa idade pode não beneficiar o paciente, pois o tratamento poderá ser muito exaustivo e pouco efetivo para alguém cuja expectativa de vida já está baixa. Um exemplo: um homem que já tem 90 ou 95 anos não se beneficia tanto do diagnóstico quanto um homem mais jovem, pois o tratamento para o câncer pode ser debilitante. Entretanto, tudo deve ser conversado adequadamente com um médico.

Doenças renais
As doenças renais também podem demorar anos para apresentar algum sintoma, quando já atingem certa gravidade. Por isso, o exame de creatinina é importante para avaliar a função dos rins, uma vez que quanto maiores são os níveis de creatinina, menos eficiente está o rim. A creatinina é uma substância serve de suporte para fazer o cálculo da taxa de quanto o rim consegue filtrar das impurezas que estão passando ali. Pacientes com hipertensão, obesidade e diabetes estão em maior risco para lesões e infecções nos rins, bem como a insuficiência renal. Outras indicações para o exame de creatinina incluem histórico familiar de doença renal, pedra nos rins ou infecção urinária.

Doenças do sangue
O primeiro nome que vem à cabeça é anemia ferropriva, ou deficiência de ferro, quando se fala em doenças que afetam o sangue. Entretanto, existe uma série de doenças que podem ser identificadas pelo sangue ou interferir em seu metabolismo de alguma forma. Um exemplo é a hemocromatose, que é uma hiperabsorção de ferro pelo organismo, podendo afetar diversos órgão do corpo, como o fígado. Para identificar esses problemas, o médico pode pedir o hemograma, incluindo saturação de transferrina, ferritina e ferro.
Além disso, o sangue também abriga outras substâncias que, quando em quantidades alteradas, podem sinalizar a presença de uma doença, como alguns tipos de câncer. Nesse caso, a pedida é a eletroforese de proteínas, um método que permite separar as proteínas do plasma humano em frações, podendo assim mensurar suas possíveis alterações. Pessoas acima dos 40 anos são mais indicadas para fazer esses exames, ou então pessoas que tenham sintomas ou fatores de risco para a anemia, por exemplo.

Fonte:
http://www.minhavida.com.br/saude/galerias/17042-doencas-graves-podem-ser-diagnosticadas-com-exames-de-sangue

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Segundo clínico geral, nem todas as doenças são diagnosticadas por exames

O clínico geral e presidente do Departamento de Clínica Médica da APM (Associação Paulista de Medicina), André Jaime, indicou os exames necessários que devem ser feitos por homens e mulheres de acordo com suas respectivas faixas etárias. Mas salientou que nem todas as doenças podem ser diagnosticadas por meio de exames.
"As pessoas têm a impressão de que se os exames estiverem normais, elas estão saudáveis, e isso não é verdade. Se não for feito um raciocínio clínico, o exame alterado também não faz o diagnóstico."
Ele dá como exemplo as doenças de fundo emocional, como ansiedade e depressão, que não precisam de exames para ser diagnosticadas.

Exames de sangue
Têm a função de verificar se os compostos e nutrientes que formam o sangue estão regulares. Como existem centenas deles no organismo, nem sempre o médico precisa de tanta informação para saber sobre sua saúde.
Por isso, o clínico geral listou abaixo apenas os exames de sangue de rotina que são recomendados para homens e mulheres a partir dos 30 anos. Pessoas com infecções, baixa imunidade ou histórico familiar de doenças podem fazê-los quando mais jovens, desde que apresentem o pedido médico.

- Verificação de sódio, potássio, cálcio ionizado, magnésio e fósforoesses exames analisam os índices de cada nutriente no sangue. Valores muito altos ou muito baixos podem indicar risco de doenças ou até a morte, em casos extremos. A falta ou excesso de sódio no sangue pode provocar sonolência e desequilíbrio de líquidos; a de potássio, câimbras; de cálcio, o hipoparatireoidismo (quantidades insuficientes do hormônio da paratireóide); do magnésio, hipertensão e queda da resistência; do fósforo, lesões ósseas. O exame pode ser feito anualmente a partir dos 30 anos.
- Ureia e creatinina: o exame avalia a função dos rins e detecta possíveis alterações, como insuficiência renal. Pode ser feito anualmente a partir dos 30 anos.
- Urina Tipo 1 (EAS): o exame detecta infecções urinárias e doenças renais ocultas. Pode ser feito anualmente a partir dos 30 anos. 
- TGO (Transaminase Glutâmico Oxalacética) e TGP (Transaminase Glutâmico Pirúvica): ambos os exames detectam disfunções no fígado. Valores elevados indicam lesões nas células hepáticas e algum tipo de hepatite. Pode ser feito anualmente a partir dos 30 anos.
- Ácido úrico: o ácido é o responsável pela metabolização de algumas proteínas pelo organismo. Níveis alterados podem detectar cálculo renal, gota, hipertensão e doenças cardiovasculares. Pode ser feito anualmente a partir dos 30 anos.
- Colesterol total e frações: o exame mede o nível de colesterol no sangue. Pode ser feito todo ano, a partir dos 30 anos. Mas pode ser pedido antes, dependendo de fatores de risco como obesidade ou histórico familiar.
- Triglicérides:  moléculas compostas de colesterol e glicerol (tipos de gorduras), as triglicérides podem ser produzidas pelo organismo ou ingeridas por meio de alimentos. O exame detecta os valores presentes no sangue, que podem ser normais, altos ou baixos. Se o nível estiver alterado, aumenta o risco de doenças cardiovasculares. Pode ser feito anualmente a partir dos 30 anos. Mas pode ser pedido antes, caso o paciente apresente fatores de risco como obesidade ou histórico familiar.
- Glicemia de jejum: o exame previne e detecta o diabetes (deficiência de produção ou ação da insulina que causa o aumento anormal de glicose no sangue). Deve ser feito após jejum mínimo de oito horas. É indicadopara ser realizado uma vez por ano, a partir dos 30 anos. Mas a solicitação pode ser feita pelo médico antes, caso o paciente seja obeso ou tiver histórico familiar da doença. É importante que seja feito todos os anos, a partir dos 60 anos.
- Glicemia pós-prandial: o exame previne e detecta o diabetes. Deve ser feito de uma a duas horas após a refeição. O objetivo é avaliar a concentração de glicose no sangue depois da ingestão de alimentos. O nível de glicose no sangue, que normalmente sobe depois de comer, volta ao normal de duas a três horas após a refeição, se a pessoa for saudável. No diabético, o nível se apresenta mais elevado e permanece por mais tempo no sangue. O exame pode ser feito anualmente a partir dos 30 anos. É importante que seja feito todos os anos a partir dos 60. 
- Sorologia: exames sorológicos verificam se existem anticorpos ou determinados vírus no sangue como os da hepatite B e C, HIV, toxoplasmose (infecção causada por contato com dejetos de animais, em especial gatos), mononucleose e citomegalovírus (herpes). Todos devem ser feitos anualmente após os 20 anos ou a partir do início da atividade sexual e por usuários de drogas injetáveis.
  
Fonte:
http://www.laboratorioclinicodesobral.com.br/interna.php?pagina=noticia.php&codigo=18

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Após a anamnese é realizado o exame físico, onde se procuram os sinais e sintomas da doença.

O exame físico é o conjunto de técnicas e manobras de alguns profissionais de saúde com o intuito de diagnosticar uma doença ou problemas de funcionalidade, entre outros. Os profissionais de saúde que se utilizam desse instrumento visam a detecção de anormalidades para possíveis intervenções e para prevenção do agravamento do estado do paciente.
O exame começa assim que o profissional avista o paciente, através de uma observação visual onde ele percebe alguns fatores como alterações na pele (coloração, feridas, manchas, etc), deformidades, obesidade, movimentos involuntários e em um segundo momento ele aplica um conjunto de manobras. Pode utilizar aparelhos, tais como: estetoscópio, esfigmomanômetro, termômetro, entre outros, com o objetivo de melhor avaliar um órgão ou sistema na busca de mudanças anatômicas ou funcionais que são resultantes da doença. Além disso, serve para a constatação do bom funcionamento dos sistemas.
O exame físico pode ser geral ou focal e se divide em quatro etapas: inspeção, ausculta, palpação e percussão. Essas técnicas podem ser aperfeiçoadas com paciência, prática e perseverança. Vale ressaltar que o sentido do exame deve ser céfalo-podálico (indo da cabeça para os pés), isto é, primeiramente deve-se observar a cabeça do paciente, depois o pescoço, tórax, abdôme e por fim a genitália.
Enquanto examina a cabeça, o profissional deve se atentar em detalhes na parte superior da cabeça, no nariz, na boca, nos olhos e nas orelhas. No tórax deve se atentar à caixa toráxica, às mamas, a alterações na pele, ao coração e ao sistema respiratório. No abdôme são examinados o fígado, o baço, os rins, o ânus, outras regiões internas e até mesmo as fezes do paciente. Por fim, examina-se a genitália em busca de alguma anormalidade.
Inspeção: exige a utilização do sentido da visão. Tem como objetivos detectar dismorfias, distúrbios do desenvolvimento, lesões cutâneas, presença de catéteres e tubos ou outros dispositivos.
Palpação: obtenção do dado através do tato e da pressão (para regiões mais profundas do corpo). Identifica modificações na estrutura, espessura, consistência, volume e dureza.
Percussão: o profissional executa um movimento rápido na área a ser examinada e produz um som que é avaliado por sua intensidade, altura, duração e qualidade. Cada estrutura tem um som característico. Os sons obtidos podem ser: maciço (onde o local tocado é "duro", pode indicar hemorragia interna ou presença de secreções), timpânico (indica presença de ar), som claro pulmonar (indica presença de ar nos alvéolos).
Ausculta: procedimento que detecta sons do organismo, só que diferente da percussão, esse procedimento usa aparelhos para auxílio, por exemplo o estetoscópio.
O exame físico apesar de parecer simples contribui muito para a detecção de doenças ainda no início, pois qualquer tipo de alteração da normalidade o paciente deve ser encaminhado para exames mais específicos.
O uso do exame físico por profissionais das áreas de saúde é indispensável, principalmente nas redes públicas que atendem as classes menos favorecidas da população, que na maioria das vezes não possuem serviços especializados e dependem dessas manobras para garantir o mínimo de saúde para sobreviver.

Fontes: 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Exame_f%C3%ADsico
http://www.infoescola.com/medicina/exame-fisico/
Sistemática do Exame Clínico

O objetivo do exame clínico é a colheita de dados que constituirão a base do diagnóstico. Para um bom exame clínico exige-se: apuro dos sentidos, capacidade de observação, bom senso, critério e discernimento, além do conhecimento básico sobre a doença. O exame clínico divide-se em anamnese ou exame subjetivo e exame físico ou exame objetivo.
Anamnese é uma entrevista realizada pelo profissional de saúde ao seu paciente, que tem a intenção de ser um ponto inicial no diagnóstico de uma doença ou patologia. Busca relembrar todos os fatos que se relacionam com a doença e à pessoa doente. Uma anamnese, como qualquer outro tipo de entrevista, possui formas ou técnicas corretas de serem aplicadas. Ao seguir as técnicas pode-se aproveitar ao máximo o tempo disponível para o atendimento, o que produz um diagnóstico seguro e um tratamento correto.

Elementos da Anamnese
- Identificação: Adquire-se o nome, idade, sexo, etnia, estado civil, profissão atual, profissão anterior, local de trabalho, naturalidade, nacionalidade, residência atual e residência anterior.
- Queixa principal: O profissional registra o motivo que levou o paciente a procurar ajuda.
- História da doença atual: No histórico da doença atual é registrado tudo que se relaciona quanto à doença atual: sintomatologia, época de início, história da evolução da doença, entre outros. Quando começou, onde começou e como começou. Em caso de dor, deve-se caracterizá-la por completo.
- História médica pregressa ou História patológica pregressa: Adquire-se informações sobre toda a história médica do paciente, mesmo das condições que não estejam relacionadas com a doença atual.
- Histórico familiar: Neste histórico é perguntado ao paciente sobre sua família e suas condições de trabalho e vida. Procura-se alguma relação de hereditariedade das doenças.
- História pessoal e história social: Procura-se a informação sobre a ocupação do paciente, como: onde trabalha, onde reside, se é tabagista, alcoolista ou faz uso de outras drogas. Se viajou recentemente, se possui animais de estimação. Suas atividades recreativas, se faz uso de algum tipo de medicamentos.
- Revisão de sistemas: Esta revisão, também conhecida como interrogatório sintomatológico, anamnese especial/específica ou Interrogatório Sobre os Diversos Aparelhos (ISDA), consiste num interrogatório de todos os sistemas do paciente, permitindo ao médico levantar hipóteses de diagnósticos.

Caracterização da dor
São as principais perguntas que se referem à dor. Nos dão bons indicativos para continuação da anamnese. São elas:
- Onde dói? (o paciente deve mostrar o local)
- Quando começou?
- Como começou? (súbito ou progressivo)
- Como evoluiu? (como estava antes e como está agora)
- Qual o tipo da dor? (queimação, pontada, pulsátil, cólica, constritiva, contínua, cíclica, profunda, superficial)
- Qual a duração da crise? (se a dor for cíclica)
- É uma dor que se espalha ou não?
- Qual a intensidade da dor? (forte, fraca ou usar escala de 1 a 10).
- A dor impede a realização de alguma tarefa?
- Em que hora do dia ela é mais forte?
- Existe alguma coisa que o sr. faça que a dor melhore?
- E que piora?
- A dor é acompanhada de mais algum sintoma?

Interrogatório Sobre os Diversos Aparelhos
- Sintomas Gerais: emagrecimento.
- Cabeça e Pescoço: queda de cabelo, dor, tumorações em couro cabeludo, bócio, mixedema, inflamação, alopecia, rouquidão, parasitoses.
- Olhos: diminuição da acuidade visual, fosfenas, escotomas, teicopsia, fotofobia, nictalopia, moscas-volantes, epífora, diplopia, hemianopsia, metamorfopsia, hiperemia conjuntival, xeroftalmia, amaurose, nistagmo, turvação, secreção ocular, dor.
- Orelha: diminuição da acuidade auditiva, hipoacusia, anacusia, hiperacusia, normoacusia, otorreia, otorragia, dor, zumbido, vertigem, acúfenos.
- Nariz: dor, espirro, obstrução, coriza, epistaxe, hiposmia, cacosmia, anosmia, parosmia, rinolalalia, rinorreia.
- Aparelho Respiratório: dor à inspiração, tosse, expectoração, sibilos, dispneia, ortopneia, trepopneia, dispneia paroxística noturna, hemoptise, asma noturna.
- Aparelho Circulatório: precordialgia, palpitação, claudicação intermitente, varizes, hipertensão, hipotensão, teleangiectasia.
- Aparelho Gastro-Intestinal: prótese dentária, anorexia, disfagia, odinofagia, bulimia, picacismo, parageusia, ageusia, hipoageusia, gengivorragia, quilose, quilite, saburra, macroglossia, alterações motoras da língua, dor na língua, sialorreia, xerostomia, pirose, regurgitação, ruminação, singulto, eructação, fezes em cíbalas, meteorismo, rolamento, ronco, diarreia, disenteria, dor anal, puxo, tenesmo, prolapso, fissura anal, dispepsia biliar, melena, fezes acólicas, vermes nas fezes, pus nas fezes, flatulência, esteatorreia, creatorreia, aumento do número de evacuações, obstipação, fezes com muco, enterorragia, hemetemese, halitose, náuseas, emese, dor epigástrica, intolerância alimentar, polidipsia.
- Aparelho Genito-Urinário: polaciúria, poliúria, oligúria, anúria, noctúria, nictúria, disúria, hematúria, piúria, fecalúria, quilúria, pneumatúria, incontinência urinária, estrangúria, urgência miccional, enurese, tenesmo vesical, dificuldade para iniciar a micção, uretrorragia, dor uretral, jato urinário fino, jato urinário bífido
- Homem: lesões penianas, ulcerações, corrimento, epispadia, hipospadia, impotência sexual, priapismo, varicocele.
- Mulher: menarca, duração do ciclo menstrual, menopausa, climatério, eumenorreia, oligomenorreia, menorragia, hipermenorreia, hipomenorreia, hipermenorragia, hipoligomenorreia, espaniomenorreia, polimenorreia, prolomenorreia, amenorreia, dismenorreia, exmenorreia, metrorragia, dispareunia, sinusiorragia, tumoração, HPV, corrimento, ulceração, frigidez, galactorreia.
- Sistema Nervoso: cefaleia, hiperestesia, hipoestesia, anestesia, parestesia, hiperalgesia, tontura, vertigem, lipotimia, sincope, confusão mental, plegia, agitação psicomotora, mioclonias, alterações de marcha, movimentos involuntários, paraparesia, tiques, paresia, afasia, convulsões, diminuição da concentração, diminuição de memória, sonolência, insônia, torpor, letargia.
- Psiquismo: alucinações, ideias delirantes e compulsivas, depressão.
- Sistema Locomotor: câimbras, dor articular, mialgias, rigidez matinal, deformações.

Sendo o registro da anamnese requerido para o bom tratamento dos pacientes, a anamnese, via de regra, é anotada por escrito. Normalmente a anotação torna-se parte do prontuário médico do paciente, estando disponível para consulta futura. Os sistemas de registro de anamnese computadorizados contam com fichas especiais personalizadas para a especialidade que melhoram a precisão da informação e a clareza do registro médico.
Sabe-se hoje que a anamnese, quando bem conduzida, é responsável por 85% do diagnóstico na clínica médica, liberando 10% para o exame clínico (físico) e apenas 5% para os exames laboratoriais ou complementares.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anamnese_(saúde)

domingo, 5 de outubro de 2014

Neste blog, iremos discutir a possibilidade de se fazer uma análise clínica sem o uso da bioquímica. Mas, antes de adentrar nessa discussão, vamos aprender como se faz o uso da bioquímica na clínica médica.
Bioquímica Médica ou Bioquímica Clínica é o ramo das análises clínicas no qual os métodos químicos e bioquímicos são aplicados na pesquisa de parâmetros fisiopatológicos com objetivo de confirmação de diagnóstico ou mensuração de resposta a um determinado tratamento.
As análises mais comuns em bioquímica médica são efetuadas através de análise do sangue e urina (devido à facilidade em se obter estas amostras), podendo alargar-se a outros líquidos do organismo como aspirados do suco gástrico e líquido cefalorraquidiano.
Metodologicamente, determinada substância é doseada nesses líquidos, obtendo-se a concentração dessa substância em teste (analito) em massa por unidade de volume, em geral, mg/dL.
A realização dos exames em bioquímica médica ocorre em sua quase totalidade por meios de aparelhos eletrônicos que utilizam quantidades muito pequenas de amostras, em geral da ordem de microlitros, otimizando os gastos e diminuindo a necessidade de coletar grandes volumes de amostra.
A análise e liberação dos resultados fornecidos em bioquímica médica exigem conhecimento muito grande de química analítica, bioquímica básica, fisiologia, patologia, além dos procedimentos envolvidos na coleta do material e completo controle do processo de realização dos exames. Isso porque vários pontos podem interferir no doseamento, fornecendo dados incorretos, ou não representativos do estado real do paciente.
Tanto o biomédico quanto o farmacêutico-bioquímico e o médico patologista, devidamente inscritos em seus respectivos conselhos profissionais são responsáveis por essa análise e liberação de resultados em bioquímica médica, constituindo os profissionais com atribuição legal para responsabilidade técnica sobre exames em qualquer área de análises clínicas, desde o momento da coleta até a liberação dos resultados.

Fonte:
http://www.portaleducacao.com.br/farmacia/artigos/6333/bioquimica-medica